Há tempos venho ensaiando começar a escrever minhas memórias. Não tenho uma vida notável, nem sou importante o suficiente para que alguém queira saber da minha história.
Mas a minha história é importante para mim — e para aqueles que me amam, que talvez queiram conhecer um pouco mais ou simplesmente lembrar junto comigo de alguns momentos.
Estou numa idade em que as memórias parecem borradas e sobrepostas. Por isso, resgatá-las através de fotografias antigas e escrever sobre elas pode ser um exercício de permanência — uma forma de segurá-las por mais um tempo e de compartilhá-las com a família e amigos.Existe também aqui um gesto de escrita curativa. Uma espécie de auto terapia. Uma viagem no tempo para revisitar momentos e sentimentos com os quais eu não soube, ou não tive tempo, de lidar quando aconteceram.
Eles se acumulam como uma pilha atrás da porta. Não exatamente lixo — na verdade, a maior parte não é. Mas estão misturados, fora de ordem, ocupando mais espaço do que deveriam.
Organizar é preciso.
Tanto para descartar o que não serve mais, quanto para dar lugar ao que ainda faz sentido. Ao que ainda faz bem.
A ideia é simples: de tempos em tempos, enfiar a mão numa caixa de fotografias, retirar uma pequena pilha ao acaso e ver aonde ela me leva.
Seja qual for o motivo que te trouxe até aqui, fica o convite: vem comigo.

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